quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou...


Há um ano atrás, no dia 31/12/2013, tinha um medo insano que nascesses. Dizia sempre que estavas bem cá dentro, que não era preciso teres pressa em vir cá para fora... Exactamente três meses depois, partiste.
Se eu pudesse voltar atrás, se eu pudesse ter feito (não sei como) com que viesses ao mundo mais cedo, se eu pudesse te ter salvado de dentro de mim... Porque afinal, o sítio onde eu julguei que estavas mais segura, foi o sítio que acabou por trair-te.
Hoje fazem 9 meses que partiste.
E eu sinto-me tão impotente, tão frágil, tão despida de tudo... Nesses dias tenho uma certa dificuldade em encontrar razões para continuar, razões para ser feliz, porque levaste tanto, mas tanto de mim...
Numa primeira análise, diria que foi um ano para esquecer. Mas a pensar melhor...
Para já, e não da maneira que eu queria, foi o ano em que me tornei mãe. E não tenho dúvidas de que isto mudou-me, para sempre.
Depois foi um ano de aprendizado... Intenso. Um ano em que vivi o melhor e o pior. Um ano que conheci pessoas fantásticas, e que reconheci que tenho os melhores amigos do mundo.
Um ano em que vi, na totalidade, que a minha ligação com a tua avó Neusa vai para muito além daquilo que se possa imaginar. Um ano em que mais uma vez aplaudo essa mulher de pé e agradeço a Deus por me ter dado a ela e mais ninguém como mãe, porque esteve contigo quando eu não fui capaz, acompanhou-te na tua última viagem quando eu e o papá não conseguíamos fazê-lo.
Um ano também em que tive certeza, caso ainda houvesse dúvida, que o teu pai é definitivamente o homem da minha vida, porque eu não poderia passar por isso com mais ninguém, a não ser com ele. É um homem. Um homem como já existem poucos.
Não poderia ter escolhido alguém melhor para ser pai dos meus filhos... Não poderia ter escolhido alguém melhor para ser teu papá, e tu sabes disso.
Foi um ano em que mudei. Em que me tornei alguém melhor. Em que aprendi o que é o amor, em todo o sentido da palavra... O que é amar o próximo. Aprendi o que realmente importa e o que eu quero para mim. Aprendi a aceitar. Aceitar a dor, o desespero, o medo, a tristeza... Porque quando aceitámos, curiosamente tudo se torna mais fácil.
Por tanto, 2014 não foi um ano para esquecer... 2014 foi um ano de amor. Porque, como diz a mamã da Nonô, "Leonor rima com amor, nunca com dor."
Sei que 2015 será um ano igualmente importante, mas não como 2014... 2014 é um ano para recordar, para sempre.
Porque foi o ano em que entraste na minha vida. Fisicamente não estás cá, levaste tanto de mim, mas deixaste ainda mais de de ti cravado na minha alma, no meu coração...

Amo-te meu Amor, tanto, tanto...

Beijinho da mãe <3

PS: Não sei se o tempo por aí passa como por cá, mas caso passe, Feliz Ano Novo minha Pipoca :')

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Se existe um lugar para além daquele que os meus sentidos alcançam...

Hoje é um dia em que deves estar a comer muitos doces. E rodeada da família.
Faz anos a tua bisvó Irene, por tanto, hoje é um dia especial...
Gosto de pensar que existe algo para além da realidade onde eu vivo, gosto de acreditar que existe uma realidade onde tu estejas viva e feliz, com a nossa família que já se foi.

Amo-te Princesa... Um beijinho da mãe <3

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Parece então que já é Natal...

Já passam das 00:00... Já é dia 25, por tanto, já é Natal.
Aí no vosso sítio especial também se comemora o Natal?
Passei o dia a tentar esconder quando chorava, porque não queria que tivessem pena de mim... Eu sei que iriam compreender, mas teriam pena, e isso foi coisa que nunca quis que sentissem de mim..
Este dia já foi. Agora só falta o 31 e o dia 01, quando fazes 9 meses... Daqui há uma semana.
A vida por cá não é nada fácil sem ti...

Feliz Natal Pipocas! <3

A mãe está triste, mas vai passar... Como sempre, vai passar.

Amo-te muito meu Amor, tenho saudades tuas, sempre...

Beijinho da mãe <3

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A primeira vez, que acabou por ser a única...

Amanhã faz um ano que te vimos pela primeira vez. Uma ecografia em 3D/ 4D, fantástico!
Abriste os olhos imensas vezes, estavas sempre com a língua de fora a experimentar o líquido amniótico (a mãe tinha comido chocolates, eras uma gulosa :P)... Vimos que tinhas o nariz da mamã (apesar do papá dizer que não), que tinhas os dedos longos como os meus, mas os teus lábios... Os teus lábios sempre foram iguais aos do papá. E vimos também o grande par de bochechas que tinhas, enormes! :')
A senhora, no final da sessão, disse que era um até já... Não foi.
Passados mais ou menos 3 meses partiste... Nunca mais ia ter oportunidade de ver os teus olhinhos abertos, de ver-te a deitar a língua de fora...
Não te quis ver adormecida, e tu sabes bem o porque... Adoro lembrar-me de ti naquela ecografia, porque estavas viva, estavas bem... E é assim que eu quero recordar-te.

Tenho saudades tuas minha Princesa... Sempre.

Beijinho da mãe! <3

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

E chega a passos largos a pior altura do ano...

Natal. Passagem de Ano.
Detesto. Sempre detestei. Achei que este ano iria ser melhor, pois ias estar cá... E afinal não. Continua a ser das festas mais detestáveis que existem.
Não estou a ser amarga... Só não vou fingir que estou cheia de vontade de comemorar algo que me  recorda constantemente a tua não existência física.
O pai disse que o importante era estar com a família... É, de facto. Mas a minha família não está completa, nem nunca vai estar, faltas tu.
Que este ano acabe. Que acabe de uma vez!
Não tenho dúvidas de que 2015 será um ano melhor que 2014, porque pior do que isso, não há. Por tanto, só pode melhorar...
Tenho tantas saudades tuas Nô, mas tantas... :'(

Amo-te Princesa!

Um Beijinho, daqui até ao céu...

domingo, 16 de novembro de 2014

Enfim... Não é justo.

A mãe já disse que a vida não é justa, não disse Pipocas? Pois, não é...
A Gui adormeceu... Lutou tanto esta pequenina, mas hoje adormeceu.
É injusto... Tanta luta, tanta esperança, e hoje ela adormeceu... Não é justo.
A mãe está triste hoje filha... Espero que tu e os outros meninos que aí estão tenham recebido a Gui com uma grande festa, porque ela merece :')

Um Beijinho Gui!...
Um Beijinho da mãe Nô, amo-te muito Pipocas!... <3

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Porque nada é igual sem ti..

Ontem fez anos o papá. Eu sei que tu sabes disso, a mãe até comprou uma prenda em nome de nós as duas :)
Foi um dia que correu bem, a prima Beatriz esteve sempre muito divertida, fartamo-nos de dançar, eu e ela :)
Mas passei o dia sempre com um nó na garganta, com um aperto no peito, porque só me apetecia chorar, faltavas tu... O pai disse que o importante era que estávamos a conviver todos, em família... E eu não lhe respondi, mas pensei... A minha família não está completa...
Faltas tu. Vais sempre faltar tu,  todas essas festas, não posso deixar de pensar que faltas sempre tu.
A vida por cá não é nada fácil sem ti filhota...

Amo-te Pipocas! <3

domingo, 26 de outubro de 2014

Deve ser assim... É capaz de ser assim.

É difícil ver bebés. Não é ver bebés de uma forma geral, mas é difícil porque o único pensamento que ainda me ocorre é, "porque a mim" ...
Eu não sou um caso isolado, antes fosse, todos os dias conheço mulheres que, por diversos motivos, passaram pelo mesmo que eu, mas continuo a sentir-me solitária na minha dor. Porque a sensação que eu tenho é que todas as mulheres do mundo têm filhos sem problemas, que só eu perdi a minha filha... Eu sei que não é assim, mas é o que eu sinto...
No sábado fazes 7 meses. São dias menos bons para a mamã.
Ontem estava a falar com o avô Augusto... A família do papá já perdeu muitas pessoas... Ontem a mamã chorou quando se falou do primo Nuno... Porque sabe o que a tia Milu sofreu. E porque ela se entregou e deixou-se ir. Às vezes também tenho vontade de me deixar ir... Enfim.
No sábado fazes 7 meses. Já disse isso, não já? São dias menos bons para a mamã... E eu sei que tu compreendes.

Amo-te filha!... <3

Beijinho da mãe <3

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Não são meus, mas dói sempre...

Ontem, "conheci" mais duas mamãs que perderam também os seus bebés...
Chorei... Cada vez que vejo uma nova história, choro. Porque não desejo ao meu pior inimigo aquilo que eu passei, e ainda passo. Não desejo a ninguém o vazio que a vossa partida nos deixa. Não desejo a ninguém a falta de esperança que nos invade. Não desejo a ninguém o medo do futuro que às vezes nos assola. Não desejo a ninguém as saudades que tenho tuas, e a dor que sinto ao saber que nunca vou ter uma segunda oportunidade contigo... Com outra criança sim, mas nunca contigo.
A vida não é justa.
A mãe já te disse isso, não disse Nô? A vida não é justa.
Ninguém deveria passar pela dor que é perder um filho, ninguém...
Ontem reparei na Judite de Sousa... O olhar dela... É vazio. É triste. Reconheci nela o meu olhar, a minha dor... Não é o olhar que eu tenho todos os dias, mas é o olhar que tenho naqueles dias que correm menos bem...

Amo-te Pipocas!.. <3

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

The Angriest Man in Brooklyn

Ontem, o papá e mamã armaram-se em casal de meia idade, ou então em senhoras de meia idade, e foram ao cinema.
Fomos ver o último filme do Robin Williams... E fomos justamente por isso, não imaginávamos que era um filme tão bom...
A história é simples, e até um pouco "batida", mas a verdade é que ninguém pensa muito no assunto, até se ver dentro do mesmo problema, até se ver de frente com a morte.
A morte, vamos lá ver... Não é assim tão má. Tudo depende de como olhamos para ela. Uma morte prematura, num bebé como tu, numa criança, ou mesmo num jovem adulto, choca sempre... Em uma pessoa mais velha, é algo mais aceitável, "porque afinal a pessoa já viveu toda uma vida"... Quem fica, quer numa morte prematura, quer de uma pessoa idosa, sofre sempre, disso não temos dúvidas.
Boa parte das pessoas não sabe quando, ou como irá morrer, o que é extremamente positivo. Porque se soubéssemos, ia ser uma loucura pegada. Mas quando acontecem situações como a do filme... Um aneurisma, inoperável. Não sabes quando vais morrer, apenas que vais, e em breve. Faz-te parar. Paras para repensar toda a tua vida, no que tens sido, no que de facto é importante, no que queres fazer nestes últimos tempos que te restam aqui deste lado. É uma chapada da vida. Porque a nós?! Ninguém sabe responder. Mas se soubermos pegar neste limão azedo e fazer uma limonada... Podemos aproveitar para tentar consertar os nossos erros. Ou então minimizar as consequências. Foi o que o personagem principal fez.
Trazendo isso para a nossa história, não fui eu que morri, literalmente..
Mas levaste parte de mim. Por tanto, é como se eu tivesse morrido também. Fui confrontada com a tal morte... E descobri que, afinal, não é tão má assim. Tenho saudades tuas, muitas, dava tudo para ter-te aqui comigo, mas seria ingrata em não reconhecer que a tua morte, a tua partida, fez de mim uma pessoa melhor. Porque cheguei ao ponto em que tive que rever as minhas prioridades, o que de facto queria para mim, se eu era de facto quem eu era antes de partires... E estou a tornar-me uma pessoa melhor. Dói, como dói... Mas não há vitória sem luta, e às vezes, às vezes os ensinamentos são assim, duros... A boa notícia, é que nunca mais nos esquecemos :)
Ter sido apanhada nesta "rasteira da vida", foi a pior, e ao mesmo tempo, a melhor coisa que já me aconteceu... Como é que sei isso?! Não sei, ainda estou a aprender e tenho um longo caminho pela frente. Sei que vão haver momentos em que vou ler isto e vou dizer que estava louca quando o escrevi... Vai doer, vai continuar a doer, sempre... Mas com esta dor também vou aprender, vou crescer... E vou ser alguém melhor. Por ti. Por mim. Pelo papá. Pelo teu mano que ainda virá.
Assim, quando chegar a minha hora de partir e ir ter contigo, vou poder fechar os olhos e descansar... E ter a certeza de que dei o meu melhor.

Amo-te Pipocas!... <3

Beijinho da Mãe <3

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A melhor maneira de exorcizar a nossa dor, é ajudar a quem precisa...

Já há muito tempo que ando com vontade de ajudar a algum projecto... Pensei nos animais,  sabes como a mãe é louca por animais, mas ainda não era isso... Pensei em algo relacionado com crianças carenciadas , mas tendo em conta o que nós passamos... Conheço as minhas limitações e não tenho vergonha de o admitir, às vezes tenho sentimentos menos nobres por quem não tem cuidado com o seu bebé... Porque eu tive todos e tu partiste. Não é justo. E eu sei que a vida não é justa, mas também sei até onde vão os meus limites, e não vou forçar algo que a partida sei que me vai trazer muita dor.
Lembraste da Nonô? Eu sei que sim... A mãe dela criou uma associação muito especial, para ajudar famílias de meninos com cancro como a Nonô... A Nonô está aí ao pé de ti desde há um mês... E mamã dela, apesar de estar destroçada, continua a fazer o bem, porque tenho a certeza de que lhe ajuda a ultrapassar a dor da partida da Nonô.
Ela disse que vão precisar de voluntários, e mãe vai se "alistar" :)
Qual é a melhor maneira de honrar-te, senão a fazer o bem e a ajudar a quem precisa? Vai ajudar também ao nosso projecto... Porque vou ter a cabeça ocupada :)
Ah Princesa... Obrigada por me teres escolhido para ser a tua mamã. Obrigada por me tornares num ser humano melhor, apesar da dor da tua partida. Obrigada filha, és o meu Tesouro <3

Amo-te boneca, daqui até ao céu e voltar!... <3

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Futuro que não vai chegar...

Hoje fui passar à ferro para a cozinha.
Costumava fazer isso antes de tu nasceres, porque era o sítio mais fresco da casa e onde eu tinha mais apoio... Entretanto nos últimos meses tenho passado na sala ou no quarto, não por uma razão especial, só porque calhava.
Pois bem, há 6 meses e qualquer coisa atrás, enquanto passava a ferro, via um casal de adolescentes a namorar... Ele tem uma mota, por tanto, mais de 16 anos tem, ela não me parecia ter mais de 15... Então ficava a observá-los, uma fase que é tão boa nas nossas vidas, mas que mete os pais (principalmente aqueles que são pais de raparigas) de cabelos em pé. E costumava comentar com o papá:
"O que nós fazemos quando for a Leonor? Ela não vai ser parva de vir para as traseiras do nosso prédio andar aos melos com um rapaz, nós conseguimos ver tudo!"
E o papá costumava dizer que era para eu deixar de olhar os miúdos, que quando fosse contigo, não saías de casa :P
Hoje, vi-os outra vez... E apeteceu-me, mais uma vez, chorar. Porque tudo tem seguido o seu caminho, as  vidas das pessoas têm seguido em frente, mas tu não estás cá...
Na quarta fazes 6 meses. Mais um dia em que vou imaginar como estarias... Mas não estás.
E nem nunca vou saber o que é estar preocupada com uma filha adolescente que tem um namorado com uma mota... Pelo menos não contigo Princesa.
Tenho saudades do futuro que não vou ter contigo Nô... <3

Amo-te fofinha... <3

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Porque às vezes sou uma muralha...

Às vezes sou uma muralha, e encaro tudo de frente. É preciso ser feito, mesmo que doa, fazemos. No dia em que nasceste, tive um pequeno descontrolo, de repente, depois de muita paciência por parte das enfermeiras, cheguei a conclusão de que tinha que ser feito. E tinha que ser feito por mim, por mais ninguém. Então concentrei-me, e fiz. Fiz o que me disseram e trouxe-te ao mundo. Não da maneira que eu queria, mas trouxe.
Mas às vezes... Às vezes só me apetece fazer como quando era mais nova, meter-me na cama da avó, e no dia a seguir tudo estava bem.
Tenho fotos tuas por toda a casa... Na sala, no escritório, na cozinha, no quarto... Mas no meu telemóvel ou no Ipod, não consigo.
Já tentei, mas dá-me um desespero tão grande, e não consigo.
A parte estúpida da coisa, é justamente o facto da mãe ter fotos tuas por todo o lado... Mas ali, naquelas duas traquitanas, não consigo.
Por isso bebé, às vezes a mãe é forte feito uma muralha, mas às vezes... Às vezes tenho 8 anos outra vez, e só me apetece a cama da minha mãe, onde tudo passa, onde nada me atinge.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O tempo...

Amanhã faz um ano que te vimos pela primeira vez... Nesta ecografia, ainda não tinhas a medida  correcta para a primeira ecografia morfológica. Tivemos que voltar duas semanas a seguir, e aí já tinhas medida de quase quatorze semanas, mas só tinhas 12 e 3 dias... Já ali demonstravas que ias ser uma bebé grande, como a mamã e o papá. De facto, até nasceste mais gordinha que nós <3
O tempo está a passar, não tarda, são seis meses de ti, seis meses da tua ausência... SEIS MESES. Nessa altura, pensava eu que estaria a magicar o teu primeiro aniversário... Realmente... A vida nos troca as voltas.
Estes seis meses vão ser marcados por um recomeço, sabes do que a mamã está a falar... E peço-te que olhes por nós.

Amo-te filhota! <3

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Datas, raios partam as datas!

Amanhã fazem 5 meses que a avó, mais outros tios, despediram-se de ti...
A família da Nonô, vai despedir-se dela amanhã, no mesmo sítio... O teu padrinho, gostava que a mamã fosse, para dar apoio a mamã da Nonô... A mãe não consegue. Não fui ali para despedir-me de ti... Não sou capaz de ir agora.
A mamã da Nonô precisa de tempo, tal como a mamã precisou... Um dia, mais tarde, quero falar com ela.
Agora dói tudo muito. Agora a dor dilacera. Agora não vemos nada a frente. Agora, só nos apetece ir ter convosco... É preciso tempo.

Amo-te minha vida!

Beijinho da mãe <3

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Partidas..

Comecei a acompanhar a história desta menina, a Nonô, ainda antes de engravidar de ti... Foi sempre uma guerreira, lutou pela vida...
Hoje, adormeceu... Descansou o seu corpinho, que nos últimos meses sofreu tanto.
A ordem da vida nunca se devia alterar... Os filhos nunca deviam partir antes dos pais.
Peço à Deus por aqueles pais, que agora ficaram sem a sua pequena Princesa... Eu sei o que eles sentem, e sei o que vão continuar a sentir durante toda a vida...
Espero que tenhas recebido a Nonô, minha Nô... Mostra-lhe "os cantos" do vosso sítio especial...
Amo-te muito filhota... <3

Um beijinho Nonô, um beijinho Nô <3

domingo, 31 de agosto de 2014

Parecia um dia normal...

Parecia um dia normal. Começou como um dia normal, como nos últimos dois ou três meses.
Não te senti mexer, comentei com o pai, ele meteu-se contigo e reagiste... Estava tudo bem.
Tratei da cozinha, da roupa... Fiz comer a mais, porque a data prevista do parto já havia passado... Por tanto, a qualquer momento esperávamos por ti, pelo que deixei comida a mais preparada para o pai.
Por volta das 17, a barriga ficou toda torta, deste-me um pontapé nas costelas... Eu pedi para que parasses e paraste... Para sempre.
O pai chegou, nós jantamos e tu continuavas sem te mexer... Fomos ao hospital. Havias partido. Há 6 horas atrás, havias partido.
Há cinco meses atrás, o dia 31 de Março parecia um dia normal... Mas não foi. Foi o dia em que partiste. Foi o dia em que levaste parte de mim contigo. Foi o dia mais triste da minha vida. Foi o dia em que passei a estar sozinha, depois de nove meses a estar contigo...
Faz hoje 5 meses que partiste e dói. Não como naquele dia 31 de Março, mas dói...
Tenho saudades tuas filha...
Um beijinho Princesa... Daqui até ao céu <3

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Há dias assim...

Hoje acordei com saudades de tuas... Não é novidade para ninguém, acho que não vai haver mais um dia na minha vida em que eu não tenha saudades tuas... Mas hoje... Bem, daqui a uma semana a mãe volta a trabalhar. E apesar de já sentir falta de trabalhar e fazer as minhas coisas, sinto-me ligeiramente ansiosa com isso... Não sei como vai ser a minha reacção ao voltar, ou antes, não sei como vai ser a reacção das pessoas ao me verem. E confesso, tenho medo. Não tenho medo que alguém seja indelicado, ou faça perguntas que não devem, tenho medo de demonstrações de carinho, porque sei que não vou aguentar e vou acabar por chorar.
Tenho medo porque é o último passo que falta para retomar a minha vida depois de teres partido, e me sinto como se estivesse a ser obrigada a te esquecer, porque preciso seguir em frente... Se tudo correr bem, são só medos tontos da mamã... Se calhar para semana, nesta mesma hora, esteja aqui a dizer que a volta afinal não foi tão má quanto a mãe pensava e que correu bastante bem.
Ao mesmo tempo que depois de teres nascido me tornei uma espécie de optimista incurável, tenho tanto medo de viver... A verdade é que já não me conheço. Não sei como vou reagir ás situações e isso me põe num estado de ansiedade brutal.
Ai Princesa, se soubesses como a vida por cá sem ti é tão difícil... Hoje não é um dia bom. A mamã sente-se embaixo... Vão haver dias melhores. Eu sei que sim. É preciso continuar... Mesmo sem saber muito bem como, mas é preciso continuar.

Amo-te fofinha! <3

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pequenas coisas...

Hoje estive a ver um programa, onde as mulheres, pelas suas razões, escondiam a gravidez... Pois bem, uma das pessoas que participavam, deu a luz a um nado morto, e engravidou novamente logo a seguir.
O bebé antecipou-se quatro semanas da data prevista... Mas, com alguns percalços, nasceu bem, chorou... Aquela mãe chorou, pois lembrava-se do filho que havia perdido há quase um ano atrás... E eu também. Porque apesar de tentar não pensar no assunto, ainda me dói, muito, não te ter ouvido chorar... E saber que isso é definitivo, não vamos ter uma segunda oportunidade... É... Não sei, faltam-me as palavras para definir.
Mas vou pensar positivo, no futuro. Tal como aquela mulher, eu também vou ter outra oportunidade. Não contigo, meu anjo... Mas vou ter um novo começo. Com uma nova história. Com outra criança.

Amo-te filha... Um beijinho daqui até o céu!... <3

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hoje...

Hoje, estive a fazer limpezas em casa. E a ouvir música, aos altos berros, aproveitei que o teu pai não estava :P
De repente, dei por mim a dançar. A mãe adora dançar, e tu sabes disso, pois dançamos muitas vezes as duas, eu cá fora, tu cá dentro.
Anyway, estava a dançar e levei a mão ao ventre, como fazia há uns meses atrás... Mas a minha parceira de dança não estava mais comigo. Apeteceu-me chorar, não de tristeza, mas de saudades... Porque, afinal, apesar de teres vindo ao mundo adormecida, passamos bons momentos as duas, mesmo contigo aconchegadinha cá dentro.
Mas decidi alegrar-me, e sabes porque Nô?
Primeiro, porque sei que me estás a ver e de certeza que ainda te sentes deliciada com a mamã a dançar, tal como antes (apesar de agora olhares e veres que estou aqui a fazer figuras)...
E segundo, porque não posso perder o jeito. Afinal vamos dar-te um mano, ou mana, e sei que ele, tal como tu, vai adorar dançar com a mamã :')

Amo-te muito minha Princesa!... <3

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Três meses...

Amanhã fazem três meses que chegaste.
Que mudaste a minha vida de uma maneira que eu nunca pensei ser possível.
Que fizeste de mim uma mamã.
Mas fazem também amanhã três meses que levaste contigo uma parte de mim.
Faz amanhã três meses que os meus dias não têm o mesmo brilho, que o mundo perdeu a leveza de acreditar "que vai correr tudo bem".
Faz amanhã três meses que me deste a tarefa mais difícil que qualquer mãe pode ter, ser mãe de um filho que parte antes de nós.

Amo-te tanto Nô, mas tanto...
Saudades tuas minha princesa, saudades nossas... <3

terça-feira, 24 de junho de 2014

8 dias

Faltam oito dias para encerrar o capítulo mais triste da minha vida.
Há longos 3 meses que me pergunto o que correu mal, de um momento para o outro... Mas daqui há oito dias vou ter uma resposta. Mesmo que inconclusiva, vou ter uma resposta.
E talvez aí o meu coração se acalme. Talvez aí eu volte a vida. Talvez aí a dor dê lugar às saudades do futuro que não vou ter com a minha menina. Talvez aí tudo se torne mais fácil... Talvez aí o sol brilhe outra vez.

Amo-te boneca!... <3

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Saudade...

É possível se ter saudades daquilo que não se viveu?
É possível se ter saudades de um olhar que nunca se viu?
É possível se ter saudades de um choro que nunca se ouviu?
É possível se ter saudades de um futuro que nunca vai chegar?
É possível se ter saudades de um cheiro que nunca se sentiu?
É possível se ter saudades de um abraço que nunca foi dado?

Sim, é. É possível isso tudo e muito mais quando se perde um filho.

Amo-te muito meu pedacinho do paraíso, tenho muitas saudades tuas e de tudo aquilo que nos foi permitido viver...

Beijinho da mãe <3

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Dia mau, com força...

Ontem foi, definitivamente, um dia mau. Mau não, péssimo.
É uma dor que dilacera, que desespera, que faz querer com que tudo acabe... Porque não vemos mais nada, não sentimos mais nada, falta-nos a esperança.
Existem pessoas que dizem que não devia mais ter reações dessas, já passaram 2 meses e meio... Existe prazo para se chorar? Para se sofrer? Existe alguém que alguma vez tenha conseguido recuperar da perda de um filho?
Eu não posso simplesmente enfiar a cabeça de baixo da terra e fingir que não aconteceu, que ela não existiu... Ela existiu, carreguei-a durante 9 meses dentro de mim, dei a luz a uma bebé que nunca chegou a ver a tal luz... Não posso esquecer, nem quero esquecer, ela era o melhor de mim, a minha obra mais perfeita. É e vai ser sempre a minha menina, por mais filhos que tenha.

Amo-te Nô, muito...
Um beijinho daqui até ao céu <3

domingo, 15 de junho de 2014

Dor solitária..

O tempo está a passar e a verdade é mesmo essa: dói menos.
Já não dói como há dois meses atrás, nem de longe... Mas as saudades... As saudades daquilo que eu não vivi, daquilo que não aproveitei, daquilo não senti, porque ela se foi cedo de mais.
Curiosamente, me tem custado mais agora ver bebés do que ao início... Não propriamente porque não consigo ver bebés, mas porque é difícil não imaginar como estaria a minha Nô se estivesse connosco... E porque, confesso, quando vejo um bebé com a idade mais ou menos como a dela, acabo sempre por pensar "porque a mim, porque a nós"...
Se aproxima o dia em que vamos saber, ou não, o que se passou connosco e estou cada vez mais ansiosa...
02/ 07/ 2014, exactamente quando fazem três meses em que sai daquele mesmo hospital com braços vazios e um coração desfeito.
Ironia do destino.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Eu só queria...

Eu só queria saber o porque de tudo ter acontecido.
Eu só queria compreender porque a mim.
Eu só queria ter ouvido o teu choro, sentido a tua pele, ter visto o teu rosto, com vida.
Eu só queria sentir o que é ser mãe e ter-te nos meus braços.
Eu só queria poder voltar atrás e te ter "salvado".
Eu só queria saber como estarias se estivesses cá, como seriam as nossas vidas com a tua presença...

Mas nada disso vai acontecer. Porque não posso voltar atrás no tempo, porque nada te traz de volta, porque acredito que Deus nos livrou de um mal maior. E apesar de sentir a dor que sinto, de às vezes as saudades serem tão grandes que quase me faz parar a respiração, prefiro dar a minha vida pela tua, que seja eu a sofrer, e não tu.

Amo-te tanto filha, mas tanto...

sábado, 7 de junho de 2014

Olhar para o lado..

Por mais que a dor seja grande, às vezes é preciso olhar para o lado. Porque há sempre, sempre alguém que sofra mais do que nós. E nem sempre se aplica aquela frase "com a dor dos outros posso eu bem". Às vezes olhamos para a dor dos outros e vemos que a nossa dor, apesar de grande, não é assim tão má quanto poderia ter sido. E digo, não posso bem com a dor deles, porque se com a minha já dói o que dói, não quero pensar no quanto dói a dor deles.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Como seria..

Vejo fotos de bebés com dois meses, e imagino como estarias... Eu estou conformada. Estou, mesmo. Mas às vezes me revolto. Porque a mim? Porque a nós? Porque as outras pessoas podem ter os filhos, vivos e bem, e eu não pude? Não é justo... A vida não é justa.
Tenho saudades tuas meu amor, tantas que quase me faz parar a respiração...
Amo-te filha, um beijinho daqui até ao céu e mais um bocadinho <3

terça-feira, 3 de junho de 2014

Atenuar

As marcas físicas estão a tornar-se ténues.
A linha negra que começou a aparecer perto dos dois meses está a ficar cada vez mais clara.
A barriga está a voltar para o lugar.
As roupas estão novamente a servir.
As manchas mais escuras do pescoço e olhos também estão a clarear.
As borbulhas voltaram a aparecer.

Todos os dias apercebo-me que as marcas físicas estão a desaparecer, que estou a voltar a ser eu "mesma". Se bem que a parte do voltar a ser eu mesma não existe, ninguém volta a ser quem era depois de uma gravidez, ninguém volta a ser o mesmo depois de perder um filho.
Na semana passada fiz uma ecografia ao coração, disseram que estava tudo bem... Eu olhei, olhei, a procura da minha mais nova cicatriz... Não se vê.
As marcas físicas estão a desaparecer, mas aquelas que são invisíveis aos olhos, essas estão aqui... E vieram para ficar.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Never Be the Same

Hoje, como que por magia, dei-me conta de que nunca mais vou ser a mesma pessoa... Eu perdi uma filha. A minha filha morreu vão fazer dois meses no próximo domingo.
A vida tem seguido... Dias melhores, dias piores, mas hoje percebi que nunca mais vou ser a mesma pessoa que era há dois ou três meses atrás... Nesta altura preparava-me para embarcar na maior aventura da minha vida, ser mãe. Hoje, tenho um colo vazio... E dois meses de mudanças que mais parecem anos. Percebi hoje que nunca mais vou encarar o mundo com a leveza que tinha. Que certas coisas deixaram de fazer sentido para mim, porque quando se perde um filho, uma parte de nós também morre com ele. Que nunca mais vou gozar uma gravidez com a calma, serenidade e felicidade que ela merece.
Ainda não consigo perceber o porquê de tudo isso, mas prefiro acreditar que Deus, na sua infinita sabedoria, livrou-nos, a mim e a ela, de um mal maior... E tal constatação me consola, mas não faz que as saudades que eu tenho da minha filha apaziguem.
Os dias à espera de respostas são longos e difíceis, os dias à espera de começar a escrever uma nova história são longos e ansiosos.
Tudo custa muito, e todo o resto não vale quase nada..!